Por que razão os mercados têm ignorado notícias perturbadoras?
Brendan McDermid/Reuters
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Parece que quase nada assusta os mercados financeiros nos dias de hoje – e isso é motivo de preocupação

Na última semana, uma explosão no metrô na Rússia matou diversas pessoas, um caminhão atropelou fatalmente outras tantas em Estocolmo e o exército norte-americano lançou dezenas de mísseis contra uma base aérea síria. Esse “tipo” de eventos causariam, normalmente, alguns tremores nos mercados. No entanto, as ações mal se moveram.

Estarão os traders reagindo de forma menos exagerada a eventos geopolíticos? A queda dos mercados após incidentes como a invasão da Crimeia em 2014, os ataques terroristas em Paris em 2015 e a tentativa de golpe de Estado na Turquia no ano passado se tornaram rapidamente oportunidades de compra. O S&P 500 (INDEX: S&P 500 index [SPX]) subiu após os três eventos dentro de cinco sessões de negociação.

Contudo, a última reação, ou ausência de reação, foi ainda mais pronunciada na semana passada. Os futuros do S&P 500 caíram 16 pontos no final da noite de quinta-feira – imediatamente após terem sido divulgadas notícias quanto ao ataque dos EUA contra a base aérea síria. No entanto, alguns minutos depois dos mercados terem aberto na sexta-feira de manhã as ações estavam mais elevadas.

“Os investidores têm desenvolvido complacência em relação a esse tipo de eventos.” – Afirmou Andrew Brenner, da National Alliance Capital Markets. “Quando se vê esse tipo de eventos já não há grande seguimento.”

Muito disso se relaciona com o estágio atual do ciclo de mercado. Sam Stovall, da CFRA Research, concluiu que os investidores estão muito mais propensos a ignorar esse tipo de eventos em boas alturas do que em alturas ruins.

Desde a Segunda Guerra Mundial que 13 desses “choques de mercado”, em mercados com tendência altista, levaram a que o S&P 500 caísse 5% em média, de acordo com Stovall. Por comparação, quando outros choques exógenos tiveram lugar durante mercados com tendência baixista, o S&P 500 caiu 17% em média.

Não se quer com isto dizer que a recente calma irá durar para sempre. Estudantes de História dos Mercados sabem que os períodos de baixa volatilidade duram até... Não durarem mais. E os mercados têm estado estranhamente calmos ultimamente, com a volatilidade em níveis historicamente baixos. O índice de Volatilidade da CBOE, o VIX (INDEX: CBOE Volatility Index [VIX]), alcançou uma média de 11,7 no primeiro trimestre do ano, se tratando do mais baixo início de ano da sua história.

É incerto, neste momento, como a situação se irá desenrolar na Síria e qual o seu papel nos mercados financeiros. Contudo, com turbulência geopolítica “os investidores disparam primeiro e fazem as perguntas depois.” – Afirmou Stovall. “E a questão que geralmente colocam é ‘Irá isto conduzir a uma recessão?’” Se não, é mais uma razão para comprar em baixa.”

No nono ano de mercado com tendência altista não há muito que inquiete os investidores, geopolítica incluída. No entanto, basta apenas um choque exógeno particularmente significativo para alterar isso.

Da próxima vez não será diferente.

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