Qual será o primeiro cripto-país?
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23 Março
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E o que é necessário para um país se tornar um cripto-país?

As criptomoedas vieram para ficar e irão representar uma grande onda de criação de riqueza — que alguns estimam que se situará nos trilhões de dólares.

No entanto, a questão que se coloca por agora é se os países serão capazes de se adaptar a esta nova realidade econômica — se tornando verdadeiros cripto-países: nações onde as criptomoedas são aceites, reguladas e taxadas; onde alimentam a economia e geram capital. É claro que se trata de algo que não acontecerá da noite para o dia. Porém, alguns países já trabalham nesse sentido e estão mais adiantados do que outros: mais dispostos para o futuro do que outros.

O que é necessário para um país se tornar um cripto-país?

  1. O primeiro passo para uma nação abraçar esta onda tecnológica passa por encorajar de forma responsável — e não apenas aconselhar — os seus próprios cidadãos a deter criptomoedas. Como fazê-lo? Dando o exemplo. A aquisição e manutenção de criptomoedas é o primeiro passo para se compreender este setor e desmistificar toda a publicidade negativa (por vezes merecida, sim) em torno da indústria. Os governos devem encorajar os seus gabinetes, departamentos e funcionários a criar e manter uma carteira de criptomoedas — podendo até fornecer alguns ativos digitais para que estes aprendam a lidar com os mesmos.
  2. De seguida, os governos devem reforçar as suas capacidades tecnológicas, as suas equipes de tecnologia e respetivos orçamentos — e devem também investir de forma significativa em talento futuro, perigosamente escasso de momento. O sistema educativo precisa de treinar muitos mais engenheiros e desde cada vez mais novos — se destacando que as crianças que crescem com jogos e aplicativos móveis compreendem melhor o valor dos ativos digitais, fato que não pode ser ignorado. É também necessário investimento em infraestruturas para apoiar a indústria — se salientando, por exemplo, que as criptomoedas e iniciativas associadas consomem bastante energia.
  3. Por último, os bancos e os bancos centrais têm de ser envolvidos. Estas instituições precisam de compreender que nem todas as empresas de criptomoedas são suspeitas e que está tudo bem em gerir uma empresa relacionada com criptomoedas, desde que algumas regras-chave sejam respeitadas. Os bancos não vão a lado nenhum em breve: na verdade, o oposto poderá ser verdade, uma vez que os bancos poderão se tornar jogadores-chave na integração de usuários de criptomoedas que atualmente não confiam no sistema — por falta de informação básica ou de tempo para aprender. As criptomoedas são o combustível para um novo tipo de economia que se está construindo diante dos nossos olhos.

De todas as nações desenvolvidas o Japão parece estar bastante à frente das restantes, tendo declarado a Bitcoin legal e mostrado apoio a plataformas de câmbio de criptomoedas registradas. Desse modo, o país torna as criptomoedas uma oportunidade de negócio viável para empreendedores, um investimento viável para investidores institucionais e também um ativo digital verdadeiramente popular, aceite em dezenas de milhares de lojas por todo o país. Este governo é um exemplo — porém, peculiar: o Japão tem uma cultura baseada no consenso que se encaixa naturalmente nos princípios da blockchain — e o país tem uma longa tradição de adoção em escala de dinheiro digital.

Qual será o primeiro cripto-país?

No extremo oposto se encontra Israel — um polo de alta tecnologia, mas onde os bancos tornam impossível lidar com qualquer coisa relacionada com criptomoedas, dificultando a vida a empreendedores e serviços focados nas criptomoedas. Tal se deve essencialmente a falta de informação e a falta de enquadramento legal claro — mas não só. Os meios de comunicação têm de ser mais responsáveis na partilha de informação, a comunidade de investidores — incluindo capitalistas de risco — não deve menosprezar ou dispensar empreendedores com projetos relacionados com criptomoedas e as empresas envolvidas na indústria também têm uma responsabilidade-chave: estabelecer padrões mais elevados, evitando maus atores, e ajudar o mercado e as autoridades a compreender melhor a indústria.

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