Porque parece que vemos tantos fundadores de start-ups em todo o lado?
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Gaurav Chakravorty, cofundador da empresa de investimento qplum, explica por que parece que o mundo está cheio de fundadores de start-ups constantemente em busca da nossa atenção

Penso que mesmo os mais otimistas concordarão que nos encontramos na fase final de um boom. Tem a sua própria start-up? Então provavelmente sabe que 90% dos fundos reunidos se destinam a alcançar o público-alvo e não a trabalhar no produto.

Se encontra, provavelmente, tentando qualquer forma possível de dizer às pessoas: “Hey, estou fazendo esta coisa nova. Se estiver interessado me envie um e-mail, me ligue ou me envie uma mensagem no WhatsApp, Facebook, ou Linkedin – sou todo ouvidos.” E as pessoas se esquecem – logo, continua a lembrá-las. Da mesma forma, qualquer outro cofundador está fazendo o mesmo. Temos, assim, uma sobrecarga de pessoas tentando falar aos outros do seu trabalho.

Vamos perceber por que razão parece que vemos tantos cofundadores agora.

  • O custo da publicidade (anúncios) e de canais de comércio tradicional é muito elevado. Os canais tradicionais são tudo menos acessíveis para as start-ups. Além das unicórnios desta vida, mais ninguém consegue aceder aos mesmos.
  • Está todo o mundo trabalhando bastante. Os mercados poderão ter subido 400% desde 2009 mas os nossos salários não subiram 400% :) Estamos todos trabalhando muito mais do que antes e o custo das casas e das férias está disparando muito mais depressa do que a nossa riqueza.
  • Uma vez que estamos trabalhando muito mais do que antes temos ainda menos tempo para aprender coisas novas e para vermos o que podemos fazer para melhorar as nossas vidas. O tempo é, na sua maioria, passado a correr para tentar cumprir obrigações – ou passado em momentos de networking ou construindo “a marca”. Quando foi a última vez que teve tempo para pegar naquele livro de Benjamin Graham – ou naquele livro sobre aprendizagem profunda, para realmente aprender em que consiste?
  • Temos demasiadas caixas de entrada: o e-mail pessoal, o e-mail de trabalho, o Facebook, o WhatsApp, o Linkedin, o Slack (sim, é uma caixa de entrada, apenas com um aspeto diferente), e até mesmo as SMS (recebemos demasiadas agora que são praticamente gratuitas). É, sem dúvida, demais ter de verificar todas. E há pessoas que escrevem publicações no Linkedin Pulse também!
  • Tudo é DIY (do it yourself – faça você mesmo) agora. Não há curadoria. A sabedoria da multidão se baseia em quem pode pagar mais. Que artigos são partilhados ou que start-ups os bloggers mencionam? É tudo, direta ou indiretamente, uma questão de pagamento. Quase nada é feedback fiável de um usuário real e imparcial. Não estamos, coletivamente, ficando mais sábios.
  • É claro que, demograficamente, nem toda a gente é um/uma cofundador/a. Na realidade, muito poucas pessoas são cofundadoras de start-ups. O número de pessoas abandonando os seus trabalhos, trabalhando sem salário ou sem qualquer certeza e tentando fazer algo novo ainda é muito reduzido, provavelmente 5% – mas há pessoas trabalhando tanto para passar a sua mensagem que parecem muito mais.
  • Já não há critérios. É tudo uma questão de incentivos. A prescrição de um medicamento em detrimento de outro se baseia apenas em uma relação custo-benefício tendo em conta todas as alternativas. Se prende apenas com: que farmacêutica incentivou os intermediários? Mas então, quem é que está realmente tentando descobrir o que é bom para nós? Ninguém além de nós próprios.
  • Penso que tudo isto conduz ao infeliz fundador de uma start-up que construiu um produto incrível e colocou o seu coração no mesmo – encarando agora o processo de tentar comunicá-lo. Não tem forma de levar as pessoas a perceberem o que sabe, a sentirem o que é necessário mudar.
  • Assim, pede atenção. Se trata de um tipo de empreendedor que empresas de bilhões de dólares tentam contratar. Contudo, este indivíduo não gosta da forma como os clientes são enganados – logo, cria algo grande, transparente e revolucionário. Porém, enfrenta o grande problema de chegar às pessoas.

Como vamos aprender? Como teremos tempo para novas ideais? Como vamos progredir?

Gaurav Chakravorty, cofundador da qplum

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